Que abrem as cortinas. E comece o espetáculo.
Tenho feito conexões com os diversos fios que se alojam em minha mente. É aquele tipo de conexão banda larga, tão rápida que às vezes é impossível decifrar algum tipo de código que me é enviado. Sei que na maioria das vezes eu peco em pensamento e até mesmo por não dizer o que realmente sinto. Mas eu sinto. E sinto muito.
Penso que isso depende muito de como as pessoas irão entender o que você diz e o que você faz. São elas, os espectadores do seu próprio espetáculo, e cabe a cada uma delas ser seu pseudo-crítico e entender como for possível o seu texto para que o português não seja assassinado em vão ao pronunciar as palavras. Há momentos em que muitos desses espectadores irão se perguntar entre si o que é que estou dizendo aos quatro cantos, e o por quê de estar ali me reverberando em cena; e lhes digo, meus caros, quando eu começo a falar e subo no meu palco pode ter certeza de que não é em vão.
Não perco o meu tempo falando B pra alguém que infelizmente só consegue entender o A, e sequer sabe do real significado das outras letras. É como se tu fosse explicar uma equação de segundo grau pra uma criança da primeira série fundamental.
Pois bem. Já vejo que em certa altura do campeonato meu espetáculo é tido como uma auto-crítica de mim mesmo. Mas melhor que isso, é uma crítica a quem está ao meu redor e mal sabe disso. Minha faceta de artista se mostra infinitamente digna quando eu resolvo agir de forma a conseguir um ponto de exclamação, de interrogação ou até mesmo um ponto final dentro da cabeça de quem me assiste. Acho que isso é uma forma de que possivelmente essas pessoas voltem ao meu espetáculo novamente, para procurar a resposta que procuram e acompanhar o decorrer da minha história. Se é que exista um decorrer. Às vezes eu termino uma cena antes mesmo do público entender.
Nem eu sabia dessa minha atual incapacidade. Me restam muitos estilhaços e uma memória bastante cansada. Mas sei que de uma forma ou de outra tem gente que me entende, e encherga além da minha alma, e isso é a prova de que pelo menos uma das entradas da minha peça valeu a pena. Pra mim. É aí que eu encontro a exceção, a resposta pra pergunta que EU procurava. E ela esteve ali, bem debaixo do meu nariz dentre as inúmeras pessoas afins de me apedrejar pelo meu próprio espetáculo. Só que se você for acometido por uma surpresa e ela for genuinamente grande, pode te deixar sem palavras por alguns instantes.
Assim que meu tino pra pessoas boas também sobe no palco comigo. Só que nesse mundo tem muita gente boa, e tenho a eminente felicidade em diferenciar gente boa de gente RARA. E, quando encontro esse tipo de pessoa me assistindo, cabe a mim procurá-la depois do baile para que eu possa mudar o repertório da minha peça. Não mais sozinho. Somente acompanhado terei força o suficiente para escrever amor nos braços, ao invés de somente escrever em outras superfícies.
Os 45 do segundo tempo funcionam muito bem pra mim.
E fecham-se as cortinas. Encerra-se o espetáculo!

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