Sobre a Fresno  ? !


A qualidade separa as bandas boas das ruins. Certo? Claro. Mas muitas vezes uma boa parte das pessoas não se importa com a qualidade. E apenas segue um fluxo cego, burro, aquela massa que enche o saco falando mal do que nunca ouviu. E eu, você, seu vizinho, seu colega e quem sabe até sua mãe, já lemos alguma crítica “baixa” a alguma banda que não merecia aquelas palavras. Veja a Fresno, por exemplo. “Chacota” da mídia por tantas vezes, parece sempre uma incompreendida. Ou quem sabe só uma bomba relógio de potencial extremo, que parece que os “mais fracos” nunca querem segurar, por não saberem lidar com ela.

Me tornei um “defensor” da Fresno a partir do instante em que vi o tamanho da qualidade que eles tinham. Enquanto algumas bandas faziam rimas sem graça e pagavam de “malandrinhos”, a Fresno era honesta. E sempre foi, na verdade.

Então lá fui eu conferir o último trabalho da banda, o Revanche. Fui com medo, assumo. Li apenas críticas positivas, somente elogios. E quando isso acontece é porque alguma coisa está errada. Não que não possa existir um CD que cause isso nas pessoas (risos), mas eu fiquei com medo de talvez dar de cara com um disco completamente ao contrário do meu favorito, Ciano.
Aí, adivinhem: pra minha surpresa, lá estava eu, ouvindo a banda no auge de sua superação.

Na primeira música, um verdadeiro pânico. "Revanche" abre o disco como um soco no estômago. Completamente diferente do que eu esperava, já me fez gostar do CD logo de cara. Riffs que lembram aquela Fresno antiga, que tantos fãs reclamavam sentir falta.
Os caras gritam através das guitarras. Absurdo. Isso fica ainda “pior” em "Die Lüge", canção que te dá vontade de levantar da cadeira e discutir com as caixas de som, se perguntando como eles conseguiram aquele resultado.
Em “Relato de um homem de bom coração”, você já entrou na brincadeira. A banda abraçou a idéia do sintetizador com os riffs violentos e, por incrível que pareça, a união funciona perfeitamente.

E quando eu ia apostando minhas fichas em canções mais pesadas (odeio essa expressão, mas enfim), me embasbaquei com as baladas. "Quando Crescer" marca exatamente a metade do álbum e te deixa completamente sem palavras. “Eu sou o que eu queria ser quando crescer”, diz Lucas Silveira, que mesmo estando no lugar em que sempre quis, parece não estar satisfeito. Impossível não se identificar.
Aí você dá de cara com "Porto Alegre", pra embasbacar. Sem dúvida a melhor de todo CD. Essa é a música que você vai lembrar quando terminar de ouvir o Revanche. É essa música que vai te fazer ouvir o disco inteiro, de novo.
E pra fechar, "Canção da Noite (Todo mundo precisa de alguém)". Quase como um hino, a música que encerra o CD, te faz pensar que você certamente acabou de ouvir o melhor álbum do ano.

Acho incrível como a Fresno se reinventa a cada disco, sem nunca perder as principais características. Ela ousa, sem precisar ficar naquela zona de conforto que tantas outras bandas fazem questão. Em Revanche, a Fresno dá um passo a mais. E não um passo a “frente”, mas sim um pra cima, marcando sua posição de “acima da média”, deixando todas as outras bandas completamente sem graça.

Então, o que realmente separa as bandas boas das ruins, além da qualidade? A sinceridade, os vocais impecáveis, as melodias nunca antes tentadas, enfim.
A Fresno, meus amigos, mais uma vez conseguiu se destacar entre as demais.
E que vingança, hein?

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