Certa vez tive um sonho perturbante e ao mesmo tempo confuso.
Era tarde, e eu caminhava pela rua como de costume, com meu fiel companheiro de viagem: meu celular. Me lembro que algo me tomava por inteiro, como se eu fosse contemplado com vários acontecimentos conturbados ao mesmo tempo, só que não sabia como achar uma solução pra tais situações. E pensei. Pensei e pensei. Isso era a única coisa decente e digna que eu conseguia fazer, mas me via cada vez mais dentro de um emaranhado de conflitos internos. Mal sabia eu que o pior ainda estava por vir.
Dentre essas minhas diversas brigas inconstantes, eu, enfim, encontrei um culpado pra tudo isso que estava acontecendo comigo.
Alguém que sempre esteve bem perto, tão perto que chegou a ser invisível à busca dos meu olhos. Alguém que dizia se isso era certo ou errado, fácil ou difícil, rápido ou demorado, enfim. Quando me encontrei diante de tal situação, continuei não sabendo o que fazer. Será que a resposta pra todas as minhas perguntas estava em algum lugar escondido, ou em algum tipo de cartilha? Não, absolutamente não! Isso era algo que tava bem mais acessível, mais fácil de ser encontrado, só que me lembrei que ninguém te mostra o caminho das pedras assim, do nada.
Neese momento já era de se assustar a forma com que eu era tomado pela angústia, pelo ‘por que’. Só que mais surpreendente ainda foi ver quem eu vi ali, parado na minha frente, tal como um guerreiro, com toda a coragem e ousadia de que se possa imaginar. Meu suposto inimigo nada mais era do que eu mesmo.
Pois bem, vocês devem estar se perguntando como, ou o por que disso, e lhes digo. Isso não passou de um conflito de identidade, um choque com meu eu interior, que me fez abrir os olhos e ver que nada mais errado e cruel do que você mesmo se permitir ao fracasso.
Muita gente não sabe, mas há momentos na vida em que você se pega num tremendo beco sem saída; pior ainda, não sabe que está ali porque você próprio causou aquilo e não teve capacidade suficiente pra ver que foi um erro automático. Têm um velho ditado que diz: pior cego é o que não quer ver. Não há nada mais correto pra se resumir tudo isso que estou cuspindo aqui hoje do que essa frase. Nós mesmos somos os nossos próprios – e piores – inimigos. O acaso do erro não acontece porque tinha que dar errado ou porque foi algo causado propositalmente, acontece porque você não se auto intitulou capaz de realizar alguma façanha. Se tivermos em mente que ’sim, eu consigo fazer isso’, nada nem ninguém é capaz de desmoronar teu castelo, a não ser que você se habilite e ajude na destruição deste, começando pelo pessimismo e pela falta de fé em si.
Para os homens de pouca fé lhes digo mais, não dê ouvidos às más línguas e confie apenas em ti. O sucesso começa com seu primeiro passo, quando tu tira do rosto aquele semblante de indecisão e veste a máscara da coragem, aquela mesma, que estava escondida no fundo da gaveta do teu guarda roupa por falta de uso. Ou melhor, por falta de capacidade.
Acho que falei de mais. Enfim, VAMOS NOS PERMITIR!

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